A Islândia não tem exército. Fora a guarda costeira e uma unidade policial de resposta rápida, a defesa do país depende inteiramente da OTAN. Mesmo assim, ela lidera pela 19ª vez seguida o ranking dos países mais seguros do mundo, com pontuação 1.161 no Global Peace Index 2026, do Institute for Economics and Peace.
O índice avalia 163 países em 23 indicadores, de taxa de homicídio a gasto militar per capita. Ele não mede qualidade de vida nem clima: mede o quanto cada país está perto ou longe de um conflito, seja ele criminal, social ou armado. Abaixo está o top 10 completo com pontuação e custo de vida, o que mudou desde 2025, onde ficam Brasil e Estados Unidos e a papelada que entra na conta antes da mudança.
A Islândia lidera o Global Peace Index 2026, seguida por Nova Zelândia, Suíça, Eslovênia, Irlanda, Áustria e Portugal. A Eslovênia foi a maior escalada do top 10 (do 9º para o 4º); a Irlanda, que era vice-líder, caiu para 5º; o Japão entrou no lugar da Dinamarca. No cenário global, a paz mundial está no nível mais baixo já registrado pelo índice.
O Brasil aparece em 124º e os Estados Unidos em 134º, atrás de Uruguai, Chile, Argentina e Paraguai. Para quem pretende morar, estudar ou trabalhar nesses países, documentos como diploma, histórico escolar e certidões costumam precisar de tradução juramentada, e boa parte da Europa também pede Apostila de Haia antes do visto.
O top 10 de 2026 num relance
No Global Peace Index, pontuação menor significa mais paz. A Islândia abre a lista com 1.161 e a Rússia fecha, em 163º entre os 163 países avaliados, com 3.367. Esta é a versão curta, só posição e nota. Logo abaixo cada país ganha ficha própria, e o quadro comparativo com custo de vida, idioma e comunidade brasileira fica no fim, depois da contagem regressiva.
| Posição | País | Pontuação GPI |
|---|---|---|
| 1º | Islândia | 1.161 |
| 2º | Nova Zelândia | 1.343 |
| 3º | Suíça | 1.363 |
| 4º | Eslovênia | 1.369 |
| 5º | Irlanda | 1.371 |
| 6º | Áustria | 1.421 |
| 7º | Portugal | 1.427 |
| 8º | Singapura | 1.435 |
| 9º | Finlândia | 1.478 |
| 10º | Japão | 1.489 |
Essa é a resposta rápida, para quem só queria os nomes. O que costuma pesar numa decisão de mudança vem logo abaixo.
Os 10 mais seguros, do 10º ao 1º
Agora com calma e de trás para frente. Do 10º colocado até o líder, cada país com o visto que um brasileiro costuma usar, o que pesa a favor e o que pesa contra. Se você só quer saber quem ficou em primeiro, já sabe onde procurar: no fim.
10º Japão Entrou no top 10
Primeira aparição do Japão no top 10 em anos. O país é a prova de que aglomeração não briga com segurança: a região metropolitana de Tóquio junta 37 milhões de pessoas e a taxa de homicídio fica perto de zero. Criança pega trem sozinha para a escola. O que segura o brasileiro ali é o idioma e a jornada de trabalho, não o risco de andar na rua.
- A favor: criminalidade baixíssima mesmo nas cidades grandes, transporte público no minuto, custo de vida menor que o da Europa Ocidental
- Contra: japonês é quase obrigatório fora de vagas de tecnologia, cultura de trabalho puxada, integração lenta para quem chega de fora
- Quem se muda: descendentes de japoneses com visto de longa permanência, profissionais de TI e engenharia, professores de inglês, estudantes
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Visto de descendente (nikkei) até a terceira geração, que permite trabalhar sem restrição de área; ou visto de trabalho qualificado (Engineer/Specialist in Humanities)
- Custo p/ viver bem
- US$ 2.200 a 2.800/mês (Tóquio, Osaka)
- Idioma
- Japonês; inglês só resolve em nichos de tecnologia e no turismo
- Comunidade brasileira
- Histórica e concentrada, cerca de 200 mil pessoas, sobretudo em Aichi, Shizuoka e Gunma
9º Finlândia Subiu 1
A nórdica do grupo. Estado de bem-estar dos mais completos que existem, escola pública que virou referência de estudo e uma confiança social alta a ponto de carteira perdida voltar para o dono. Entre Islândia e Finlândia, esta costuma ter o processo mais previsível para quem é qualificado, com análise em até duas semanas na via rápida de especialista.
- A favor: serviços públicos fortes, autorização de residência de especialista analisada em duas semanas, muita vaga de tecnologia aceitando inglês
- Contra: finlandês é difícil e pouco útil fora do país, inverno longo e escuro, fora da tecnologia o idioma local volta a ser exigido
- Quem se muda: profissionais de TI, engenharia e games, pesquisadores, estudantes de mestrado em programas em inglês
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Autorização de residência para especialista, com salário mínimo de € 3.937/mês em 2026; ou autorização de trabalho comum
- Custo p/ viver bem
- US$ 2.300 a 2.900/mês (Helsinque; 15% a 30% menos em Tampere, Turku e Oulu)
- Idioma
- Finlandês e sueco; inglês cobre o trabalho no setor de tecnologia
- Comunidade brasileira
- Pequena, poucos milhares, concentrada em Helsinque
8º Singapura Caiu 2
Cidade-estado onde a segurança vem de um Estado que vigia de perto e pune com rigor até pequeno delito. Câmera em quase toda esquina, multa alta por jogar lixo na rua, tolerância zero com droga. Para quem topa esse contrato social, é um dos lugares mais tranquilos do planeta para circular a qualquer hora.
- A favor: criminalidade de rua quase inexistente, inglês como língua administrativa, hub financeiro e de tecnologia da Ásia, salários altos
- Contra: moradia entre as mais caras do mundo, salário de corte alto para o visto de trabalho, leis restritivas e calor o ano inteiro
- Quem se muda: profissionais de finanças, tecnologia e comércio exterior com oferta de emprego, transferidos dentro de multinacionais
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Employment Pass, com salário a partir de S$ 5.600/mês (S$ 6.200 no setor financeiro) e pontuação mínima no critério COMPASS
- Custo p/ viver bem
- US$ 3.500 a 4.500/mês (a ilha inteira, com pouca variação de bairro)
- Idioma
- Inglês na vida oficial; mandarim, malaio e tâmil também são idiomas oficiais
- Comunidade brasileira
- Pequena e sobretudo profissional, ligada ao setor financeiro e a multinacionais
7º Portugal Estável
O único país de língua portuguesa no top 10 e, de longe, o mais procurado por brasileiros entre os primeiros colocados. Mais de 570 mil brasileiros moram lá, a maior comunidade estrangeira do país. Sem barreira de idioma, e com um acordo específico para cidadãos da CPLP, a entrada é mais simples que a dos vizinhos. Em compensação, aluguel em Lisboa e Porto subiu muito nos últimos anos.
- A favor: mesmo idioma, comunidade enorme, acordo de mobilidade da CPLP, clima ameno, custo ainda abaixo do centro da Europa
- Contra: salários locais baixos, moradia cara e concorrida nas duas maiores cidades, filas na AIMA para agendar e renovar residência
- Quem se muda: praticamente todo perfil, de estudante a aposentado, passando por trabalhador e nômade digital
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Visto de procura de trabalho, visto D de trabalho ou estudo, autorização CPLP
- Custo p/ viver bem
- US$ 1.900 a 2.600/mês (Lisboa, Porto)
- Idioma
- Português
- Comunidade brasileira
- A maior de todas: mais de 570 mil pessoas
6º Áustria Caiu 2
Viena aparece com frequência no topo de rankings de qualidade de vida entre grandes cidades. Baixa criminalidade, saúde pública bem avaliada e um sistema de pontos para atrair profissionais qualificados. O alemão é a barreira de entrada real, mais do que a burocracia.
- A favor: qualidade de vida urbana, transporte e cultura fortes, cartão de residência por pontos para quem tem qualificação e salário acima de um piso
- Contra: exige alemão para a maioria das vagas e para a vida fora do trabalho, mercado formal e pouco flexível
- Quem se muda: profissionais de tecnologia, saúde e engenharia; músicos e artistas, pela tradição das escolas austríacas; estudantes de intercâmbio
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Rot-Weiß-Rot Karte (cartão vermelho-branco-vermelho) para qualificados
- Custo p/ viver bem
- US$ 2.300 a 2.900/mês (Viena)
- Idioma
- Alemão
- Comunidade brasileira
- Pequena
5º Irlanda Caiu 3
Era vice-líder em 2025 e caiu três posições, ainda dentro do top 5. Continua entre os destinos preferidos dos brasileiros na Europa, muito por causa do inglês e de uma comunidade já grande em Dublin, Cork e Galway. O problema que todo mundo cita é o mesmo: achar onde morar.
- A favor: inglês, comunidade brasileira grande e organizada, permissão de trabalho para estudante de curso de inglês, economia aquecida
- Contra: crise de moradia séria, aluguel caro e disputado, clima cinzento boa parte do ano
- Quem se muda: estudantes de inglês com visto Stamp 2, profissionais de tecnologia e farmacêutica com Critical Skills Permit
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Stamp 2 (estudante), Critical Skills ou General Employment Permit
- Custo p/ viver bem
- US$ 3.000 a 3.800/mês (Dublin)
- Idioma
- Inglês
- Comunidade brasileira
- Grande, uma das maiores da Europa
4º Eslovênia Subiu 5
A maior escalada do top 10: saiu do 9º e chegou ao 4º. País pequeno, entre os Alpes e o Adriático, com custo de vida bem abaixo do resto da Europa Ocidental e criminalidade baixa. Pouco conhecido dos brasileiros, o que significa comunidade mínima e menos rede de apoio, mas também aluguel que ainda cabe no bolso.
- A favor: custo de vida baixo para padrões europeus, natureza acessível, país no espaço Schengen
- Contra: esloveno é um idioma difícil e pouco falado fora do país, mercado de trabalho enxuto, quase nenhuma comunidade brasileira
- Quem se muda: profissionais com contrato específico, estudantes, casais em busca de vida mais barata na Europa
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Autorização única de residência e trabalho com contrato, ou visto de estudo
- Custo p/ viver bem
- US$ 1.700 a 2.200/mês (Liubliana)
- Idioma
- Esloveno; inglês comum entre os mais jovens
- Comunidade brasileira
- Muito pequena
3º Suíça Subiu 2
Segurança alta e salários entre os maiores do mundo, mas a entrada é dura para quem vem de fora da União Europeia: existe cota anual de autorizações de trabalho, e sem contrato assinado antes de embarcar a conversa nem começa. O idioma muda conforme a região: alemão em Zurique, francês em Genebra, italiano no Ticino.
- A favor: salário líquido alto, transporte público impecável, saúde de primeira, três regiões linguísticas para escolher
- Contra: um dos custos de vida mais altos do planeta, cota de vistos para não europeus, sociedade que leva tempo para abrir espaço
- Quem se muda: profissionais de farmacêutica, finanças, engenharia e pesquisa com oferta de emprego na mão
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Autorização de trabalho (permit B ou L) via contrato, sujeita a cota
- Custo p/ viver bem
- US$ 4.500 a 6.000/mês (Zurique, Genebra)
- Idioma
- Alemão, francês ou italiano, conforme o cantão
- Comunidade brasileira
- Média, dentro de uma comunidade lusófona já grande
2º Nova Zelândia Subiu 1
O país registrou o menor índice de conflito em andamento de toda a Ásia-Pacífico e passou a Suíça, ficando em segundo. Criminalidade violenta baixa e um sistema de imigração que, apesar de exigente, é previsível: dá para acompanhar cada etapa do pedido online.
- A favor: inglês, natureza, processo de visto transparente, demanda por mão de obra em tecnologia, construção e agro
- Contra: distância (nenhum voo direto do Brasil), custo de moradia alto em Auckland, mercado concentrado em poucas cidades
- Quem se muda: profissionais de áreas em falta na lista oficial de ocupações, jovens no working holiday
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Accredited Employer Work Visa ou Skilled Migrant Category
- Custo p/ viver bem
- US$ 2.700 a 3.300/mês (Auckland)
- Idioma
- Inglês
- Comunidade brasileira
- Pequena, na casa dos milhares
1º Islândia Estável no topo
Cerca de 380 mil habitantes, nenhuma força armada permanente e um Estado de bem-estar que resolve boa parte dos conflitos antes de virarem crime. É a 19ª liderança seguida, sequência que nenhum outro país chega perto de repetir. O obstáculo para o brasileiro quase nunca é a segurança.
Por que 19 anos seguidos na ponta? O índice premia quase tudo o que a Islândia tem de sobra: nenhum exército para financiar ou mobilizar, conflito interno perto de zero, homicídio raríssimo, baixa desigualdade e uma polícia que em regra nem anda armada. Junte o isolamento no meio do Atlântico Norte e uma população de 380 mil pessoas, e sobram poucas das variáveis que puxam a nota dos outros países para baixo. É por isso que a curiosidade do começo do texto, um país sem exército liderando o ranking de paz, não é contradição: é quase a explicação.
- A favor: criminalidade violenta perto de zero, saúde pública boa, inglês falado em todo lugar
- Contra: inverno com poucas horas de luz, custo de vida alto, mercado de trabalho pequeno e fechado
- Quem se muda: em geral por trabalho especializado (energia geotérmica, pesca, turismo) ou por relacionamento com islandês
- Visto mais comum p/ brasileiro
- Autorização de trabalho qualificado ou reunião familiar
- Custo p/ viver bem
- US$ 3.500 a 4.200/mês (Reykjavík)
- Idioma
- Islandês; inglês resolve o dia a dia
- Comunidade brasileira
- Muito pequena, algumas centenas de pessoas
Resumo comparativo: os 10 lado a lado
Agora que você viu um a um, a tabela ajuda a comparar. A coluna de custo de vida é uma estimativa de 2026 para uma pessoa vivendo com conforto na capital ou nas maiores cidades, somando aluguel de um apartamento de um quarto e as despesas do mês, na linha do que o Numbeo reporta. São faixas, não valores fechados: câmbio, bairro e estilo de vida mexem bastante nesse número.
| Pos. | País | Pontuação | Variação vs 2025 | Custo p/ viver bem (aprox.) | Idioma | Comunidade brasileira |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Islândia | 1.161 | Estável | US$ 3.500 a 4.200/mês | Islandês (inglês quase universal) | Muito pequena |
| 2º | Nova Zelândia | 1.343 | Subiu 1 | US$ 2.700 a 3.300/mês | Inglês | Pequena |
| 3º | Suíça | 1.363 | Subiu 2 | US$ 4.500 a 6.000/mês | Alemão, francês ou italiano | Média |
| 4º | Eslovênia | 1.369 | Subiu 5 | US$ 1.700 a 2.200/mês | Esloveno (inglês comum entre jovens) | Muito pequena |
| 5º | Irlanda | 1.371 | Caiu 3 | US$ 3.000 a 3.800/mês | Inglês | Grande |
| 6º | Áustria | 1.421 | Caiu 2 | US$ 2.300 a 2.900/mês | Alemão | Pequena |
| 7º | Portugal | 1.427 | Estável | US$ 1.900 a 2.600/mês | Português | A maior de todas |
| 8º | Singapura | 1.435 | Caiu 2 | US$ 3.500 a 4.500/mês | Inglês (administrativo) | Pequena, sobretudo profissional |
| 9º | Finlândia | 1.478 | Subiu 1 | US$ 2.300 a 2.900/mês | Finlandês e sueco | Pequena |
| 10º | Japão | 1.489 | Entrou no top 10 | US$ 2.200 a 2.800/mês | Japonês | Histórica (nikkeis), concentrada |
Sete dos dez primeiros são europeus, um padrão que se repete nesse índice desde a primeira edição, em 2008. Só três países de fora da Europa aparecem no topo: Nova Zelândia, Singapura e Japão.
O país certo para cada objetivo
Ninguém se muda só atrás de pontuação num índice. O que a maioria quer saber é qual desses lugares serve para o motivo específico da mudança. Um resumo direto:
- Para estudar
- Áustria e Portugal. Viena pela tradição acadêmica e artística; Portugal pelo idioma e pelo custo. Comece pelo guia de intercâmbio e pela tradução do histórico escolar.
- Para trabalhar em inglês
- Irlanda, primeiro; Nova Zelândia, se distância não for problema. Veja quais países mais contratam brasileiros.
- Para aposentar
- Portugal. Clima ameno, rede de saúde acessível e custo abaixo do centro da Europa, ponto reforçado no guia de países baratos para morar bem.
- Para família com filhos
- Áustria e Eslovênia. Escola pública sólida, cidades caminháveis e criminalidade baixa; a Eslovênia ainda tem aluguel que cabe no orçamento.
- Para nômade digital
- Portugal, com o visto D8. Quem compara costuma olhar também o visto de nômade digital da Espanha, ali do lado.
- Para quem fala só português
- Portugal, sem concorrência. É o único do top 10 onde você chega falando o idioma e ainda conta com o acordo da CPLP.
- Para o processo migratório mais simples
- Portugal, de novo, pelo acordo CPLP. Fora dele, a Nova Zelândia tem o processo mais transparente, embora exigente.
O que mudou no ranking em 2026
Nove dos dez países do top 10 já estavam lá em 2025, mas quase todos trocaram de lugar. As mexidas que valem nota:
- Maior alta: Eslovênia, do 9º para o 4º. Melhora nos indicadores de conflito interno e de relações com países vizinhos.
- Maior queda entre os primeiros: Irlanda, de vice-líder para 5º, puxada por piora na percepção de criminalidade e em tensões políticas.
- Entrou: Japão, que subiu e apareceu no top 10 pela primeira vez em anos.
- Saiu: Dinamarca, que caiu para 11º.
- Não se mexeu: Islândia (1ª) e Portugal (7º), nas mesmas posições de 2025.
O pano de fundo global é pior do que o ranking do topo sugere. A paz mundial caiu de novo e está no nível mais baixo já medido pelo índice, no 12º ano seguido de piora. Alguns números da edição de 2026:
- Custo econômico da violência
- US$ 21,8 trilhões em 2025, ou 10,5% do PIB global (US$ 2.657 por pessoa)
- Gasto militar
- US$ 9,5 trilhões, alta de 5% em um ano, o maior salto anual da história do índice
- Ataques com drones
- Crescimento de mais de 11.500% entre 2018 e 2025
- Conflitos internacionalizados
- Países envolvidos em conflito externo passaram de 59 (2008) para 103
Brasil, Estados Unidos e a América do Sul
O Brasil aparece em 124º, com pontuação 2.333, no meio da tabela: longe do topo, longe da zona de guerra. Os Estados Unidos, principal destino de brasileiros no exterior, ficam pior: 134º, com 2.535, resultado do alto grau de militarização, da facilidade de acesso a armas e da polarização política medida pelo índice.
Na América do Sul, o Uruguai é o melhor colocado da região, seguido de Chile, Argentina e Paraguai, todos à frente do Brasil e dos próprios Estados Unidos. É um bom lembrete de que o índice mede paz e conflito estrutural, não a sensação de andar na rua: um país pode pontuar bem por não ter militarização nem conflito externo e ainda assim ter criminalidade urbana relevante.
Morar com segurança x viajar sozinho
Segurança para se mudar e risco para viajar sozinho são coisas diferentes, medidas por pesquisas diferentes. O Global Peace Index olha paz e conflito no nível do país. Uma pesquisa da seguradora de viagem Squaremouth, com 113 países, olha outra coisa: o quanto quem viaja sozinho se sente seguro à noite, a qualidade da saúde local e o risco de desastre natural.
- Mais arriscados para viajar sozinho em 2026 (Squaremouth): Venezuela, Peru, Gabão, Colômbia, Bolívia, Jamaica, Guiana, Equador, Trinidad e Tobago e África do Sul. Na Venezuela, menos de 10% dos moradores dizem se sentir seguros andando à noite.
- Mais seguros na mesma pesquisa: San Marino, Andorra, Singapura, Áustria, Tchéquia, Catar, Estônia, Brunei, Dinamarca e Eslovênia.
Quatro países aparecem bem nas duas listas: Singapura, Áustria, Dinamarca e Eslovênia. Não é coincidência. Países pequenos, com Estado presente e baixa desigualdade, tendem a pontuar bem em qualquer metodologia.
Depois de escolher o destino: a papelada
Segurança pesa na decisão, mas não abre a porta sozinha. Visto de trabalho, matrícula na universidade, contrato de aluguel: cada processo tem a própria lista, e os países do topo do ranking, justamente por serem organizados, costumam ser rigorosos com documento. O que quase sempre aparece:
- Diploma e histórico escolar: para matrícula em universidade ou reconhecimento profissional
- Certidão de nascimento e de casamento: exigidas em pedidos de residência e reagrupamento familiar
- Antecedentes criminais: praticamente todo visto de longa duração pede
- Contrato de trabalho ou carta oferta: base dos vistos de trabalho qualificado
- Comprovante de renda ou extrato bancário: comum em vistos de longa permanência, aposentadoria e nômade digital
A regra varia de país para país, mas o padrão se repete: documento emitido no Brasil só vale lá fora depois de tradução juramentada, feita por tradutor público registrado na Junta Comercial. Em boa parte da Europa, casos de Suíça, Áustria, Portugal e Irlanda, ainda é preciso a Apostila de Haia antes da tradução, o que significa dois processos, não um. Contratos e cartas de referência, dependendo do órgão que recebe, podem pedir tradução técnica em vez da juramentada.
O idioma de chegada também muda o caminho. Para destinos como o Japão, a tradução precisa ser feita para o japonês por tradutor público habilitado nesse par de idiomas, e alguns órgãos japoneses pedem formato e carimbo específicos, ponto que o guia de tradução juramentada para japonês detalha.
Nenhum desses rankings substitui a sua pesquisa sobre custo de vida, mercado para o seu setor e clima. Segurança costuma ser o ponto de partida de quem já decidiu sair do Brasil, não a decisão inteira.

