Na edição 2026/2 do Revalida, o Inep deu seis dias, de 14 a 19 de setembro, para quem fez a prova teórica enviar o diploma pelo Sistema Revalida. Quem não mandou nada ficou "reprovado por documentação", e o edital não permitia completar depois, nem no prazo de recurso. Nota boa na prova também não resolvia: documento fora do padrão barra a inscrição na segunda etapa, mesmo com a nota de corte atingida.
Em 19 de outubro, o Inep divulgou o resultado individual dos pedidos de quem teve problema logístico na prova ou faltou por doença infecciosa. Quem teve o pedido aprovado ganha a isenção da taxa de inscrição na 1ª etapa do Revalida 2027/1. A notícia recoloca o exame na conversa dos brasileiros formados em Medicina no Paraguai, na Bolívia e na Argentina, que já sabem que o diploma só vale aqui depois dessa prova. Este guia olha para a parte menos comentada: os documentos. O que mandar, o que pede tradução juramentada de diploma para revalidação, o que não pede, e em que momento começar.
Medicina passa pelo Revalida (duas etapas, aplicado pelo Inep). Os outros cursos de graduação e os mestrados e doutorados do exterior passam por uma universidade pública, pela Plataforma Carolina Bori. Em ambos os casos o diploma estrangeiro chega apostilado ou legalizado no consulado, e a tradução juramentada depende do idioma: no edital do Revalida 2026/2, documento em espanhol, inglês, francês ou português não precisa de tradução. Para universidades, a regra é de cada uma, então leia o edital da que você escolheu.
Onde a tradução pesa de verdade é nas ementas e no projeto pedagógico, quando a universidade pede e o idioma não é dispensado. Comece por elas, e traduza antes de protocolar, sem esperar nenhuma aprovação.
O Revalida em duas etapas: o que o exame cobra
O Revalida é o exame do Inep, previsto na Lei 13.959/2019, que subsidia a revalidação de diplomas de Medicina expedidos no exterior. Ele tem duas etapas. A primeira é uma prova teórica. A segunda é a prova de habilidades clínicas, com edital próprio. Só quem passa na primeira e tem o documento de conclusão de curso aprovado chega à segunda.
A conta de aprovação tem uma pegadinha: ela combina etapas de edições diferentes. No edital 2026/2, a aprovação exige a 1ª etapa de 2025/2, 2026/1 ou 2026/2 mais a 2ª etapa de 2026/2. Quem fica fora dessa combinação conta como reprovado no Revalida. Depois da aprovação, a universidade pública que você indicou faz o ato de revalidação do diploma. O edital chama esse ato de "apostilamento", e vale avisar: não tem nada a ver com a Apostila de Haia. É a universidade registrando a revalidação no seu diploma.
Um ponto que o próprio edital faz questão de dizer: o Revalida não é prova de ordem profissional e não garante o direito de exercer a medicina. Registro em conselho é outra etapa.
- Revalida 2026/2, 1ª etapa
- Prova teórica em 13/09/2026, com nota de corte de 60 pontos e taxa de inscrição de R$ 410,00
- Envio do diploma
- De 14 a 19/09/2026, pelo Sistema Revalida, em PDF, PNG ou JPG, frente e verso, com até 2 MB por arquivo
- Resultado definitivo da 1ª etapa
- 04/12/2026, segundo o cronograma do edital
- 2ª etapa
- Prova de habilidades clínicas, com edital específico
Tradução juramentada de diploma para revalidação: o espanhol muda a conta
Aqui mora o equívoco mais caro desse assunto. Muita gente ouve "diploma estrangeiro precisa de tradução juramentada" e sai traduzindo tudo, inclusive o diploma do Paraguai, da Bolívia ou da Argentina, que está em espanhol. No Revalida 2026/2, o item 14.2.3 do edital manda anexar tradução juramentada da documentação, "excetuando-se aquela emitida em português, inglês, francês ou espanhol". Ou seja: diploma em espanhol vai ao Inep do jeito que está, desde que esteja apostilado ou autenticado pelo consulado brasileiro.
E onde a tradução entra, então? Em dois lugares. O primeiro é quando o documento está em outro idioma: italiano, alemão, russo, ucraniano, chinês, árabe e por aí vai. O segundo é a universidade, que não é o Inep e tem regra própria. A UFMG, por exemplo, dispensa tradução de documento em português, galego, espanhol ou inglês, mas exige para o francês. Já o guia de processos da Unipampa, atualizado em 2018, dispensava espanhol, inglês e francês. Dois exemplos, duas listas diferentes. Por isso o edital da universidade que você vai indicar é o que manda, e vale conferir se a regra não mudou desde a última atualização.
| Processo | Onde se protocola | Documentos centrais | Tradução juramentada |
|---|---|---|---|
| Revalida (Medicina), 1ª etapa | Sistema Revalida, do Inep | Diploma (ou certificado de conclusão, se o diploma estiver em trâmite), apostilado ou legalizado | Só se o documento não estiver em português, inglês, francês ou espanhol |
| Revalidação de Medicina na universidade, depois do Revalida | Universidade pública indicada por você no Revalida | Diploma e histórico, mais o que o edital da universidade pedir | Regra da universidade; confira o idioma |
| Revalidação de outros cursos de graduação | Universidade pública, pela Plataforma Carolina Bori | Diploma e histórico; algumas universidades pedem também ementas e projeto pedagógico | Regra da universidade; confira o idioma |
| Reconhecimento de mestrado ou doutorado | Universidade pública, pela Plataforma Carolina Bori | Diploma, histórico e, em geral, ata de defesa e exemplar da tese ou dissertação | Regra da universidade; confira o idioma |
Carolina Bori: revalidação de outros cursos e reconhecimento de pós
Medicina é o único curso com exame nacional. Enfermagem, Odontologia, Engenharia, Direito, Psicologia e os demais cursos de graduação seguem outro caminho: você abre o pedido na Plataforma Carolina Bori, do MEC, escolhendo uma universidade pública que ofereça o mesmo curso ou um equivalente. A universidade analisa o mérito da formação que você de fato cursou e decide se revalida, se pede complementação ou se nega. A base é a Resolução CNE/CES 2/2024, e é por isso que o edital do Revalida cita o artigo 11 dela ao dizer que a revalidação de Medicina depende do exame.
A mesma plataforma recebe os pedidos de reconhecimento de mestrado e doutorado (os cursos stricto sensu) feitos no exterior. A lista de documentos da pós costuma ser mais longa: além de diploma e histórico, universidades como a Unipampa pedem a ata de defesa, o nome da banca e do orientador, e um exemplar da tese ou dissertação. Cada universidade fixa o seu prazo. A Unipampa, em seu guia, fala em até 180 dias para analisar, o que dá uma ideia da ordem de grandeza.
Os documentos de cada processo, e o que passa por apostila e tradução
O que se repete em quase todo edital é a espinha dorsal: diploma, histórico, comprovante de identidade e CPF. O que varia é o resto. A tabela abaixo mostra o cenário típico. "Depende" quer dizer que a decisão está no edital da instituição, e não vale chutar.
| Documento | Apostila de Haia ou legalização consular | Tradução juramentada | Observação |
|---|---|---|---|
| Diploma de graduação | Sim, no documento original | Depende do idioma | A UFMG não aceita certificado ou declaração no lugar do diploma |
| Certificado ou declaração de conclusão | Sim | Depende do idioma | No Revalida, só vale quando o diploma está em trâmite, e precisa dizer isso, além de comprovar internatos e estágios |
| Histórico escolar com carga horária e notas | Sim | Depende do idioma | Costuma ser pedido junto com o diploma pelas universidades |
| Ementas das disciplinas | Autenticadas pela instituição de origem, quando o edital pede | Depende do idioma | É o documento mais volumoso |
| Projeto pedagógico ou organização curricular | Autenticado pela instituição, quando pedido | Depende do idioma | Nem toda universidade exige |
| Documentos brasileiros (identidade, CPF) | Não | Não | Já estão em português |
Dois detalhes práticos que derrubam muito pedido. O primeiro: a apostila tem de estar colada no próprio diploma ou histórico, e não numa cópia autenticada. A UFMG diz isso com todas as letras, e outras universidades seguem lógica parecida. O segundo: tradução feita fora do Brasil não serve. O tradutor precisa ser público e estar registrado na Junta Comercial brasileira, e o documento digital tem de levar assinatura ICP-Brasil. Quem manda traduzir no Paraguai porque saiu mais barato costuma pagar duas vezes. Se você quiser entender a diferença entre os dois tipos de tradução, o texto sobre tradução simples e juramentada explica.
O erro das ementas: o documento que ninguém lembra de pedir
Diploma e histórico todo mundo lembra. Ementa não. E é a ementa que, quando a universidade exige e o idioma não é dispensado, mais engorda o orçamento e o prazo. Um curso de seis anos tem uma ementa por disciplina, e o arquivo cresce rápido. Tradução juramentada é cobrada pelo volume do texto traduzido, então ementa grande vira conta grande. E texto grande também demora mais para traduzir e revisar.
O que ajuda de verdade, na prática:
- Peça as ementas à instituição de origem no começo, em um único PDF legível e, se o edital exigir, autenticado por ela. Faculdade estrangeira não responde em dois dias.
- Antes de traduzir, confirme no edital se a universidade pede ementa, projeto pedagógico ou os dois, e em que idioma.
- Peça um orçamento com a contagem de laudas. O texto sobre quanto custa a tradução juramentada mostra como essa conta é feita, e o de prazo da tradução juramentada dá a noção de tempo.
- Mande as ementas para tradução em paralelo, enquanto os outros documentos viajam. Elas são o gargalo.
Quando traduzir: antes de protocolar, sem esperar aprovação
A lógica é simples e quase ninguém a segue: tradução vem antes do pedido, não depois. No Revalida isso é duro e objetivo. A janela de envio do diploma em 2026/2 foi de seis dias, e o resultado da análise do documento saiu só em 9 de outubro. Se o seu diploma precisa de tradução, ela tem de estar pronta antes dessa janela. Quem espera "ver se passa na prova" para só então providenciar a tradução corre o risco de ver a janela fechar.
Há uma válvula de escape: se o documento enviado for reprovado, o edital permite recurso e envio de um arquivo novo no prazo do recurso (14 a 16 de outubro, em 2026/2). Quem não enviou nada não tem essa chance. E um alívio: documento já aprovado em edição anterior é homologado automaticamente, sem precisar reenviar.
Nas universidades, o raciocínio é o mesmo, só que sem o relógio do Inep. Pedido incompleto costuma voltar para complementação, e cada volta atrasa a análise. Abrir o pedido na Carolina Bori com o conjunto fechado (diploma apostilado, histórico, ementas, traduções quando for o caso) é a forma mais barata de encurtar o processo.
Isenção da taxa no Revalida 2027/1: quem tem direito
A isenção de que se fala desde 19 de outubro não é para todo mundo que não passou. Ela vale para quem teve o pedido aprovado, entre as ocorrências previstas no edital: problema logístico durante a prova ou ausência por doença infecciosa (o edital cita, por exemplo, sarampo, rubéola, varicela e Covid-19). Com o pedido aprovado, o participante tem garantida a isenção da taxa de inscrição na 1ª etapa do Revalida 2027/1. O resultado individual está na Página do Participante, dentro do Sistema Revalida.
Três regras do edital merecem atenção. A isenção só pode ser usada por quem não foi aprovado na 1ª etapa de 2026/2. Quem não se inscrever na 2027/1 perde a isenção, inclusive para as edições seguintes. E, usando a isenção, valem as regras e os prazos do edital da 2027/1, que ainda vai definir as datas. Quem pretende prestar o exame de novo deveria aproveitar a espera para deixar o diploma e a tradução, se houver, no ponto. Para acompanhar, a página do Revalida no portal do Inep é a fonte oficial.
Formados no Paraguai, na Bolívia e na Argentina: o que costuma travar
Uma reportagem recente do Midiamax acompanha jovens que realizaram o sonho de estudar Medicina no Paraguai e agora encaram o Revalida. A parte documental desse grupo tem alguns pontos recorrentes. O diploma precisa vir de instituição reconhecida no país de origem pelo Ministério da Educação local ou órgão equivalente, e o edital cobra isso. Quando o diploma ainda não saiu (isso é comum no fim da faculdade), o certificado de conclusão só vale se comprovar todo o componente obrigatório, inclusive internatos e provas finais, e mencionar que o diploma está em trâmite. O edital trata esses itens como requisitos mínimos do certificado.
Como esses países falam espanhol, a tradução juramentada do diploma costuma sobrar no Revalida. O trabalho está na apostila, que é emitida no país de origem, e em escanear com qualidade: frente e verso legíveis, com a apostila aparecendo inteira. Para o quadro geral de Medicina e enfermagem fora do país, vale o guia sobre saúde no exterior, e para os documentos acadêmicos em geral, o texto sobre diploma e certificado.
Onde a SP Traduções entra nessa história
Sem rodeio: se o seu diploma está em espanhol e vai para o Revalida, talvez você não precise da gente para traduzi-lo, e preferimos avisar isso a vender um serviço desnecessário. Entramos quando o idioma exige tradução, quando a universidade escolhida pede mesmo o espanhol traduzido, e principalmente nas ementas, no histórico e nos demais documentos que viram volume. Traduzimos com tradutor juramentado registrado na junta comercial, com o texto da apostila incluído na tradução.
Sobre a apostila: a do diploma estrangeiro é emitida no país que o expediu, e nenhum cartório brasileiro faz isso por você. Para os documentos brasileiros do seu processo, a SP faz a apostila pelo convênio com cartórios, sem você ir ao cartório, e o preço sai melhor por causa do convênio. Nesses casos, apostila e tradução juramentada viajam juntas, na ordem certa. Para entender o que é a Apostila de Haia em si, vale o guia dedicado.
E o aviso de sempre: a SP traduz, quem revalida é o Inep ou a universidade. Não prometemos aprovação nem prazo de análise, e vale desconfiar de quem prometa.

